segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Caminhos

Cada vez mais desapegada às instituições,
às religiões,
eu sigo o caminho dos maltrapilhos.

Capenga desde sempre,
mas repleto de sorrisos,cicatrizes e compaixão.

Não me cobro, nem me encubro com capa pútrida de santidade,
caminho com os homens e com seu desejo de viver o amor.

Nas ruas, onde o Caminho também caminha,
por entre pedras e desamor,
ódio, rejeição, marginalidade.

Eu e Ele estamos à margem da Lei e do Ódio que ela incita.

Somos um, com todos.

A pergunta

A mim não é incomum que algum amigo pergunte:
O que está fazendo de bom?
E ouça como resposta: POESIA.

Dentre as inúmeras respostas possíveis, essa parece ser meio... entediante?
Desconsertante...?

Isso é muito relativo ao interlocutor.

A sincronia de almas talvez permita ver, a essa resposta,
com algum agrado,
caso contrário... seria eu uma desocupada? Bitolada? Ausente do mundo e de suas urgências?

Ah, os meus amigos, os de e da alma, entendem,
urgente pra mim, sempre foi a Poesia.

DOMINGO

Queria um domingo menos sangrento,
De flores no lugar de ansiedade,
De música e riso espontâneos,
De poesia e pouca maldade,
De sono e paz.
Queria um domingo de passeios se hora pra voltar,
De descompromisso e alegria sinceros,
De amor e pouco medo.
Queria um domingo de pés descalços,
Roupas largas, de alma liberta.
Queria um domingo de desejos realizados,
Daqueles que somos impedidos de realizar nos outros dias da semana.
Queria um domingo cheio de vida,
E nenhum tédio.
De lasanha e sobremesa, sem nenhuma culpa.
Queria um domingo preguiçoso,
Relapso, gostoso de viver.
Queria um domingo sem o erro da obrigação da igreja,
Queria ser eu a igreja todos os dias da semana,
Como de fato Ele nos propôs.
Queria um domingo sem a eminência da segunda...
É, o quase impossível sempre me atraiu.

domingo, 8 de janeiro de 2012

ternura

É preciso ternura pra enfrentar os dias maus e os bons
E na mesma medida nos dois, ilimitada.
Só a ternura já basta para tornar a vida menos corrosiva
e os homens, menos indiferentes.
É ela quem dá brilho aos olhos e algum sossego ao coração.
Quando o mundo tritura meus sonhos feito moinho,
e Cartola, sábio, tinha razão,
eu respondo com a ternura,
de quem continua insistindo em sonhar com os pés no chão.